Sobre Llach

A sessão que se segue é a tradução (ainda parcial) da biografia de Lluís Llach extraída do seu sítio oficial. Logo estará completa.

1948

Lluís Llach nasce em 7 de maio em Gerunda. Vive toda sua infância em Verges, uma pequena cidade que não chega aos mil habitantes localizado no Baixo Empordá, comarca de que sempre se declarou um apaixonado. É o segundo filho fruto do casamento Llach-Grande. O pai é médico, filho de proprietários rurais e a mãe é uma professora nascia em Porrera (Priorado) que recebeu uma educação burguesa na Barcelona dos anos 30: uma cidade republicana e nacionalista, na qual as ideias anarquistas e de esquerda dominavam o ambiente cultural.

1949-1966

A existência de um piano na casa familiar marcaria o jovem Lluís Llach, que com seis anos começou a compor as suas primeiras estruturas musicais ao mesmo tempo que aprende o abecedário.

Aos nove anos, vai para Figueres para continuar seus estudos. Aos quinze anos iria para Barcelona para estudar engenharia. Dois anos depois, matricular-se-ia na Faculdade de Economias.

1967

Completamente imerso nos ambientes universitários antifranquistas, e devido ao interesse que desde pequeno mostrou pela música, entra em contatp com o grupo intelectual “Els Setze Jutges” (“Os Dezesseis Juízes”), antecedent do que então iria chamar-se “Nova Cançó” (“Nova Canção”) e na qual logo se destacaria.

Recebido pelos seus colegas universitários, Lluís Llach canta pela primeira vez em 22 de março desse ano, em Terrassa, um concerto no qual, conforme explicou em várias ocasiões, passou todo o tempo com os olhos fechados e com as pernas a tremer.

1968

Poucos meses depois, participaria com a canção “A cara o creu” (composta por Josep Andreu e Lleó Borrell), acompanhado de Dolors Laffite, no Festival da Canção de Barcelona, conseguindo o segundo lugar. Entre os expectadores, encontrava-se o presidente da CBS na Espanha, que lhe ofereceu dois milhões de pessetas para assinar com a multinacional… e cantar em castelhano. A personalidade a prioridade de resoluções de Llach fazem com que essa oferta se torne papel molhado. Imediatamente após, assina um contrato com a gravadora Concèntric, um pequeno selo dirigido por membros da burguesia catalã com o único objetivo de manter vivas a língua e a cultura catalã diante da ditadura franquista.

O seu primeiro disco incluiria canções como “Que feliç era mare” (“Que feliz eu era, mãe”), “La barca” (“A barca”), “En Quitero” (“Seo Quítero”) ou “El Parc” (“O Parque”). Nesse mesmo ano compõe “L’estaca” (“A estaca”), que se tornou o hino de todas as reividicações nos Países Catalães.

1969

Grava seu primeiro LP: “Les seves primeres cançons” (“As suas primeiras canções”).

A popularidade do cantor de Verges sobe tanto, que o tema “Irene” faz com que se atinjam as 100.000 cópias vendidas do disco que a contém.

Nesse mesmo anp conhece a Laura Almerich, uma pessoa que é para o cantor como uma irmã, uma amiga, uma cúmplice e parte fundamental do seu acompanhamento musical durante a sua carreira (canta com ela pela primeira vez em 26 de dezembro).

O ano acava com a atuação no Palácio da Música de Barcelona, em 13 de dezembro, diante do primeiro escalão da crítica especializada do momento, que o consagra como um intérprete de grandíssima qualidade.

1970

Debuta em Madri em 8 de dezembro no Teatro Espanhol e, como resultado desse concerto, surgem-lhe os primeiros problemas. A repressão franquista à sua pessoa chega a limites absurdos, os seus concertos são proibidos (durante quatro anos) sob a acusação de “revolucionar al público con la mirada”. Lluís decide exilar-se em Paris. A verdade é que a polícia o perseguia por qualquer coisa banal, tratando-a como “subversão”, ao estar integrado a um grupo político da universidade, por defender o catalanismo e fazer crítica ao fascismo, feitas em novembro na localidade cubana de Varadero. Nesse mesmo festival, o cantor espanhol De Raymond se mostrará muito contente de poder representar o Generalíssimo. Ao voltar para Barcelona, os jornais do regime vão dar eco do agradecimento demonstrado por Franco a De Raymond e de “los ataques rojos y separatistas de un cantante catalán”. Nesse momento, Llach compreendeu a necessidade de exilar-se em Paris e aproveitaria para retornar em ocasiões concretas.

1971

Em março estreia em Paris como cantor na Mutualitte. Canta na França, na Suíça, na Alemanha…

1972

Lança seu terceiro LP, “Com um arbre nu” (“Como uma árvore nua”), depois de uma coletânia dos seus primeiros temas e do trabalho “Ara i aquí” (“Agora e aqui”) que recolhia ao vivo a atuação no Palácio da Música em fins de 1969.

1973

Estreia no Olympia de Paris com um grande êxito e eco em 21 de janeiro. Atuações no México.

1974

Após quatro anos de ausência, volta a atuar no Palácio da Música em 2 de fevereiro, para apresentar ao vivo as canções do seu novo disco “I si canto trist” (“E se canto triste”), prelúdio de uma nova marca estilística.

Volta a triunfar no Olympia.

A TVE (Televisão Espanhola) grava um recital dado no Teatro Grego de Barcelona para ser transmitido em 10 de fevereiro de 1975, mas, ao chegar essa data, não o foi devido ao fato de que o cantor ter se dirigido ao público em catalão.

1975

Seu novo trabalho, “Viatge a Ítaca” (“Viagem a Ítaca), converte-se no seu disco mais vendido até o momento: 150 mil cópias. Sua apresentação foi feita no Palácio da Música. Esse foi um evento previsto inicialmente para sete atuações, mais foi interrompido na quinta: Lluís Llach foi preso e levado ao Comando Superior da Polícia. A multa de 100.000 pessetas e a proibição de continuar com os recitais seria justificadas pelo governador civil de Barcelona, Rodolfo Martín Villa, por causa das reiteradas “infracciones al reglamento de espectáculos, que prohíbe terminantemente que los artistas se dirijan al público y establezcan diálogo con él, caso que el señor Llach hizo en reiteradas ocasiones, proferiendo expresiones que la autoridad gubernativa ha estimado como atentatorias a las instituiciones y a la legislación vigente”.

Llach volta a ser um cantor proibido na Espanha e se regugia no exterior.

Em Londres, no Central Westminster Hall, divide a cena junto com o ainda desconhecido Joaquín Sabina.

Coincidindo com as atuações que fazia no Teatro da Ville de Paris, Franco morre, e renascem as esperanças de que tudo mude. No final do ano, grava um programa com Georges Brassens em Avinhão, para a televisão francesa.

1976

Lluís Llach volta à Espanha, começando assim uma nova etapa. Seu retorno é comemorado com três recitais no Palácio de Esportes de Barcelona diante do primeiro escalão das novas forças políticas e sociais da Catalunha, em 15, 16 e 17 de janeiro. Atraíram cerca de 30.000 pessoas. Esses recitais foram reunidos em forma de disco sob o título de “Barcelona, gener de 76” (“Barcelona, janeiro de 76”), como um documento sonoro da situação e sentimento de momento histórico. Pela primeira vez, todas as suas canções passam pela censura.

1977

Em setembro estreia a sua nova obra “Campanades a morts” (“Badaladas pelos mortos”).

1979

Em San Remo, recebe o prêmio Luigi Tenco como melhor cantor estrangeiro.

Atua pela primeira vez no Liceu para apresentar “Somniem” (“Sonhemos”).

1980

Participa num Festival Anti-Eurovisão em Bruxelas.

Traz ao mercado “Verges 50”, uma homenagem à sua terra e à sua infância. Esse trabalho foi apresentado no Teatro Grego de Montjuïc acompanhado pela Banda Municipal de Barcelona.

1982

A Generalitat da Catalunha lhe concede a Cruz de Sant Jordi.

Faz uma turnê pelo Brasil.

No final do ano, apresenta no Poliorama de Barcelona “I amb el somriure, la revolta” (“E com o sorriso, a revolta”).

1983

No palco pela primeira vez num recital com Raimon e Joan Manuel Serrat num ato em auxílio aos prejudicados pelas inundações que se deram nesse ano.

Atua no Quebec.

1984

Sai sei novo trabalho “T’estimo” (“Te amo”), uma das três obras mais sentimentais de Llach.

1985

A Academia francesa do Disco outorga-lhe o Prêmio de melhor compositor do ano.

Sai o disco “Maremar”, onde se refletem os sentimentos que lhe vêm quando da morte de sua mãe, no final de 1983.

Em 18 de maio, atua em Clermont-Ferrand acompanhado da orquestra sinfônica da cidade e um coro de cento e cinquenta vozes.

Em 6 de julho, celebra no Camp del Barça a maior convocatória musical realizada por um único cantor na Europa: 100.000 expectadores comparecem numa noite mágica.

1986

Entra com um processo judicial contra o primeiro-ministro espanhol, Felipe González por violação de promessas eleitorais (entrada na OTAN).

1987

Apresenta seu novo trabalho “Astres” (“Astros”).

Colabora num disco-homenagem a García Lorca.

1988

Estreia como barítono sob a regência de Jean-Claude Casadesus no Palácio de Congressos e da Música de Lille para interpretar o Requiem de Fauré.

Dá um recital em Barcelona em prol do povo palestino.

Apresenta no Palácio da Música de Barcelona o seu novo trabalho “Geografia”.

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