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Campanades a morts

Lluis_Llach-Campanades_A_Morts-FrontalVamos reativar o blogue, projeto mal iniciado e parado por outras premências. Como primeira música, apresentamos a emblemática Campanades a morts, surgida no contexto da redemocratização espanhola quando, durante um protesto em Gasteiz (País Basco), manifestantes foram mortos pela polícia, demonstrando claramente que a truculência do regime franquista ainda não cessara de vez e fazia-se sentir.

A canção Campanadas a morts (“Badaladas pelos mortos”) tem letra e música de Lluís Llach, é de 1977 e aparece nos seguintes discos: Campanades a morts (1977), Camp del Barça (1985) e Rar (1994), conforme informação do sítio oficial do cantautor.

A música supreende pelo seu tom de marcha fúnebre e pelo peso da sua representação; a letra dramática evocando os mortos em Gasteiz entra em completa sintonia com a melodia. É certamente a canção mais profunda e dolorida de Llach. Abaixo, um vídeo com a gravação de 1977; mas atenção com as imagens, pois elas fazem referência à Guerra Civil Espanhola.

Segue-se abaixo a letra orinal e a tradução. Nota bem que a tradução poderá ser alterada para maior aperfeiçoamento da mesma.

Campanadas a morts

I

Campanades a morts
fan un crit per la guerra
dels tres fills que han perdut
les tres campanes negres.

I el poble es recull
quan el lament s’acosta,
ja són tres penes més
que hem de dur a la memòria.

Campanades a morts
per les tres boques closes,
ai d’aquell trobador
que oblidés les tres notes!

Qui ha tallat tot l’alè
d’aquests cossos tan joves,
sense cap més tresor
que la raó dels que ploren?

Assassins de raons, de vides,
que mai no tingueu repòs en cap dels vostres dies
i que en la mort us persegueixin les nostres memòries.

Campanades a morts
fan un crit per la guerra
dels tres fills que han perdut
les tres campanes negres.

II

Obriu-me el ventre
pel seu repòs,
dels meus jardins
porteu les millors flors.

Per aquests homes
caveu-me fons,
i en el meu cos
hi graveu el seu nom.

Que cap oratge
desvetllí el son
d’aquells que han mort
sense tenir el cap cot.

III

Disset anys només
i tu tan vell;
gelós de la llum dels seus ulls,
has volgut tancar ses parpelles,
però no podràs, que tots guardem aquesta llum
i els nostres ulls seran llampecs per als teus vespres.

Disset anys només
i tu tan vell;
envejós de tan jove bellesa,
has volgut esquinçar els seus membres,
però no podràs, que del seu cos tenim record
i cada nit aprendrem a estimar-lo.

Disset anys només
i tu tan vell;
impotent per l’amor que ell tenia,
li has donat la mort per companya,
però no podràs, que per allò que ell va estimar,
el nostres cos sempre estarà en primavera.

Disset anys només
i tu tan vell;
envejós de tan jove bellesa,
has volgut esquinçar els seus membres,
però no podràs, que tots guardem aquesta llum
i els nostres ulls seran llampecs per als teus vespres.

IV

La misèria esdevingué poeta
i escrigué en els camps
en forma de trinxeres,
i els homes anaren cap a elles.
Cadascú fou un mot
del victoriós poema.

© Edicions l’Empordà

Badaladas pelos mortos

I
Badaladas pelos mortos
dão um grito pela guerra
dos três filhos que perderam
os três sinos negros.

E o povo está recolhido
quando o lamento vem,
são já três penas a mais
que levaremos na memória.

Badaladas pelos mortos
pelas três bocas fechadas,
ai, daquele trovador
que esquecer as três notas!

Quem cortou o alento
desses corpos tão jovens,
sem maior tesouro
que a razão dos que choram?

Assassinos de razões, de vidas.
que não tenheis repouso até o fim dos vossos dias
e que na morte vos persigam as nossas memórias.

Badaladas pelos mortos
dão um grito pela guerra
dos três filhos que perderam
os três sinos negros.

II

Abri-me o ventre
pelo seu repouso,
dos meus jardins
levastes as melhores flores.

Por esses homens
cavastes-me fundo,
e no meu coração
aí gravastes o seu nome.

Que nenhum tempo
despertou o som
daqueles que morreram
sem ter tristeza.

III

Dezessete anos apenas
e tu, tão velho;
ciumento da luz dos seus olhos,
quiseste fechar suas pálpebras,
mas não poderás, que todos guardamos essa luz
e o nossos olhos serão lanternas para as tuas tardes.

Dezessete anos apenas
e tu, tão velho;
invejoso de tão jovem beleza,
quiseste então esquartejar os seus membros,
não não poderás, que do seu coração temos lembrança
e cada noita aprenderemos a amá-lo.

Dezessete anos apenas
e tu, tão velho;
impotente para o amor que ele tinha,
deu-lhe a morte por companhia,
e não poderás, que para aquilo que ele estimava,
o nosso corpo será sempre em primavera.

Dezessete anos apenas
e tu, tão velho;
invejoso de tão jovem beleza,
quiseste então esquartejar os seus membros,
mas não poderás, que todos guardamos essa luz
e o nossos olhos serão lanternas para as tuas tardes.

IV

A miséria tornou-se poeta
e escreveu nos campos
em forma de trincheiras,
e os homens andarão a elas.
Cada um foi palavra
do vitorioso poema.

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